Presidente do Corecon-SC acredita que setores de turismo e serviços sofrerão mais na economia com a pandemia no Sul do país
Presidente do Corecon-SC acredita que setores de turismo e serviços sofrerão mais na economia com a pandemia no Sul do país - Corecon/SC

O Conselho Regional de Economia (Corecon-SC) acaba de lançar o projeto Corecon Explica!, iniciativa na qual economistas buscam esclarecer os temas econômicos do momento, como os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia. Um dos questionamentos feitos pelo e-mail duvidaseconomia@corecon-sc.org.br e pelo WhatsApp (48) 99914-0087 do Corecon foi sobre como ficará a economia do Sul do país após a atual pandemia da covid-19. Para a presidente do Corecon-SC, Ivoneti Ramos, os setores de serviços e de turismo serão os mais impactados por este período de combate ao novo coronavirus. 

“Nós teremos as maiores perdas no setor de serviços, que é justamente o setor que tem maior participação no total do Produto Interno Bruto (PIB), ultrapassando os 60%; e a área do turismo também já é uma das mais afetadas. Então, veja, o Sul é intensivo em serviços e turismo, portanto teremos grandes perdas”, diz a presidente do Corecon-SC. Economista e professora de Finanças Públicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Ivoneti projeta uma recuperação econômica para 2021, destacando que o agronegócio e as políticas governamentais voltadas para as famílias e empresas serão fundamentais nesta retomada. Para ela, porém, ainda é cedo para se ter números da quebra da economia.

A economista acredita que três situações podem amortecer a crise no Sul do país: o desempenho do setor de alimentos, envolvendo a pecuária, a agricultura e a agroindústria, e na expectativa que o fator climático contribua para um resultado positivo; a reinvenção das áreas mais afetadas, a  exemplo do que já observa das soluções tecnológicas que estão sendo experimentadas pra reduzir as perdas no comércio e nos serviços, com especialização nas vendas e nas consultorias on-line; e que as políticas governamentais sejam efetivas no enfrentamento à crise, com foco nas famílias e nas empresas.

Recuperação

Ivoneti Ramos estima que a recuperação econômica somente virá a partir do ano que vem. “O Banco Mundial aponta uma possível recuperação econômica para o Brasil já em 2021 com crescimento do PIB em torno de 1,5% e em 2022 em crescimento em torno de 2,3%. No cenário internacional, o Fundo Monetário Internacional estima que a China crescerá em torno de 9% em 2021 e os Estados Unidos em torno de 4%. São expectativas bastante otimistas, mas caso se confirmem os reflexos serão bastante positivos para as economias do sul do Brasil já a partir de 2021”, observa a economista.

Para ela, a roda da economia voltaria a girar a partir do aquecimento da demanda interna e a recuperação das economias dos principais parceiros comerciais internacionais, que movimentariam a produção, o emprego, a renda e o consumo e alimentariam novamente o círculo virtuoso da economia.

“Mas é necessário fazer uma ressalva aqui: esses dados estão sendo acompanhados periodicamente pelos institutos de pesquisa, pelos organismos internacionais porque ainda não são conhecidos os desdobramentos ou as possibilidades da necessidade de novas rodadas de isolamento social. Ou seja, o retorno gradual das atividades pode ser revista a qualquer momento se novas ondas de contágio surgirem, se haverá sustentabilidade para o retorno das atividades econômicas”, observa a presidente do Corecon-SC.

Diante desse cenário de incertezas, Ivoneti diz que é prematuro fazer uma estimativa de perdas para a economia. “Neste momento ainda é difícil apresentar números de impacto regional. Mas sabemos que a retração econômica já está em curso. Já se prevê que a taxa de desemprego no Brasil, que em janeiro estava em 11,2%, vai fechar o ano em torno de 12,5% e, com o desemprego, cai o consumo e as empresas vamos desacelerar o ritmo da produção. Para termos ideia, para 2020 o Banco Mundial está prevendo uma queda de 5% do PIB brasileiro e já se fala em queda de 3% no PIB mundial. Então diante desses números não há como escapar de impactos negativos nas economias do Sul”, observa a economista, que completa: “Eu diria que as empresas, as famílias e o governo precisam intensificar o diálogo em busca de soluções conjuntas para o enfrentamento”.

Desempenho

Ivoneti lembra que a região Sul tem um desempenho singular na economia, mas não é independente de outros mercados. “O Sul possui uma economia singular, ela tem um desempenho produtivo acima da média do país. Em 2019, enquanto o país cresceu 1%, a região Sul cresceu 2,5%. Porém nós precisamos lembrar que não são economias isoladas, elas dependem do desempenho nacional e também do desempenho internacional, são economias que têm uma pauta de exportação bastante significativa. Os estados ficaram entre os nove que mais exportaram em 2019. Então, esse indicador, mesmo que positivo em tempos de expansão, torna-se preocupante neste momento se considerarmos que os principais parceiros comerciais - a China e os Estados Unidos - estão no centro da pandemia com previsão de forte retração econômica”, alerta a economista.